PortuguêsSemânticaFiguras de linguagemVerbena2025Pref. Itumbiara-GOMédia
Leia o texto a seguir.
Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se foi esboçando.
Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o que parecia difícil a
Fabiano, criado solto no mato. Cultivariam um pedaço de terra.
Mudar-se-iam depois para uma cidade, e os meninos
frequentariam escolas, seriam diferentes deles. Sinha Vitória
esquentava-se. Fabiano ria, tinha desejo de esfregar as mãos
agarradas à boca do saco e à coronha da espingarda de
pederneira.
Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas que lhe
entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças que empestavam
o caminho. As palavras de Sinha Vitória encantavam-no. Iriam
para diante, alcançariam uma terra desconhecida.
Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não
sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as
palavras de Sinha Vitória, as palavras que Sinha Vitória
murmurava porque tinha confiança nele. E andavam para o Sul,
metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas
fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e
necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns
cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer?
Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra
desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão
continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a
cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinha Vitória e os
dois meninos.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas . São Paulo: Martins, 1970.
O texto acima é uma manifestação
Ado desânimo das personagens.
Bde esperança humana e ingênua.
Cde ironia contra a realidade.
Ddo amor à terra.
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