PortuguêsSemânticaFiguras de linguagemVerbena2025Pref. Cidade Ocidental-GOMédia
Leia o Texto 6 para responder à questão.
Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-egravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta
diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o
nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração
do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a
especialização suada em economia, finanças, política nacional
e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se
possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o
religioso, o econômico etc., mas a crônica de que estou falando
é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo.
Não se exige do cronista geral a informação ou comentários
precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma
espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto
de vista não ortodoxo e não trivial e desperte em nós a
inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de
espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na
divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista
faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a
crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular
entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles.
Fazer mais do que isso seria pretensão descabida de sua parte.
Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café
da manhã ou à espera do coletivo.
[...]
Foi o que esse outrora-rapaz fez ou tentou fazer em mais
de seis décadas. Em certo período, consagrou mais tempo a
tarefas burocráticas do que ao jornalismo, porém jamais deixou
de ser homem de jornal, leitor implacável de jornais,
interessado em seguir não apenas o desdobrar das notícias
como as diferentes maneiras de apresentá-las ao público. Uma
página bem diagramada causava-lhe prazer estético; a charge,
a foto, a reportagem, a legenda bem feitas, o estilo particular de
cada diário ou revista eram para ele (e são) motivos de alegria
profissional.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Ciao. Disponível em:
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17506/ciao. Acesso em: 10 out. 2025.
[Adaptado].
No Texto 6, ao distinguir a crônica de outros gêneros
jornalísticos, o escritor Carlos Drummond de Andrade faz
referência a funções discursivas típicas de editoriais,
reportagens e colunas. Essa relação evidencia que o autor
Adialoga ironicamente com práticas jornalísticas
demarcando o espaço literário da crônica.
Bcritica o jornalismo moderno por abandonar o compromisso
com a verdade factual.
Cpropõe substituir os editoriais e reportagens pela
linguagem subjetiva do cronista.
Ddefende que o cronista atue como especialista em temas
políticos e econômicos.
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