O equilibrista bêbado
Girar pratos constitui um tradicional ato circense, no qual
um malabarista mantém um grande número de pratos girando
sobre varetas. Frequentemente, o ato é combinado com acrobacias
e sequências humorísticas. Girar pratos é também uma conhecida
metáfora para o trabalho gerencial. Muitos executivos,
quando interrogados sobre sua rotina, respondem com a frase:
“continuo tentando manter os pratos no ar”.
Colin Price, diretor da consultoria McKinsey & Company,
em Londres, fez eco ao senso comum: publicou, há alguns meses,
um artigo na revista da empresa, sugerindo que liderança se
tornou, de fato, a arte de girar pratos. O consultor refere-se aos
paradoxos característicos da vida nas organizações e à necessidade
de os executivos buscarem posições de equilíbrio, nem
sempre triviais.
Sua principal premissa é que a forma racional para buscar
melhores resultados nas organizações, com foco em questões
financeiras e operacionais, com metas, pode não ser a maneira
mais eficaz. Não deixa de parecer irônico, dado sua empresa ter
construído um impressionante portfólio de clientes com a venda
justamente desse tipo de abordagem. Price parece ter descoberto
que, embora gostemos de ver as empresas como manifestações da racionalidade, a realidade frequentemente nos mostra
que ações e decisões corporativas são comumente marcadas
pela imprevisibilidade e pela excentricidade do comportamento
humano.
A sugestão de Price é abraçar a condição paradoxal da vida
corporativa e buscar situações de equilíbrio. Assim como os
malabaristas tentam manter seus pratos no ar, os executivos
devem tentar direcionar esforços para incentivar os comportamentos
capazes de alinhar as organizações com as suas maiores
prioridades.
O consultor identifica grandes paradoxos da vida corporativa.
Dois deles merecem destaque. O primeiro envolve mudanças
e estabilidade. Toda empresa que deseja sobreviver precisa manter-se
no passo de mudança de seu ambiente. Frequentemente,
isso implica realizar alterações na estratégia, reformar estruturas,
renovar quadros e acelerar o desenvolvimento e o lançamento de
produtos. No entanto, o excesso de mudanças causa estresse e
gera resistência. Mais sensato é procurar o equilíbrio entre mudança
e estabilidade, com respeito aos limites das pessoas e dos
processos.
O segundo paradoxo envolve controle e autonomia. Toda organização
necessita de normas e processos. Algumas empresas,
entretanto, por incapacidade gerencial, operam em um vácuo de
regras. Tornam-se erráticas e caóticas, tomando decisões ao sabor
do momento. Por outro lado, o excesso de controle condena
os funcionários à condição de meros executores. Como as bandas
de jazz, as empresas precisam de regras básicas para operar,
de forma que cada profissional possa, no momento correto, improvisar
e criar.
A mensagem de Price tem méritos. De fato, para enfrentar
os desafios do dia a dia, os executivos devem reconhecer que sua
atividade é permeada por contradições. Infelizmente, muitos parecem
agir como equilibristas bêbados. Sobra-lhes desinibição e
falta-lhes consciência. Se trabalhassem “sóbrios”, talvez fossem
capazes de reconhecer a real natureza de sua tarefa e manter todos
os pratos no ar.
(Thomaz Wood Jr., www.cartacapital.com.br, 07.07.2013. Adaptado)
Considere as frases:
• Muitos executivos, quando interrogados sobre sua rotina,
respondem com a frase: “continuo tentando manter os pratos
no ar”. (primeiro parágrafo)
• Se trabalhassem “sóbrios”, talvez fossem capazes de reconhecer
a real natureza de sua tarefa e manter todos os
pratos no ar. (último parágrafo)
É correto afirmar que as aspas sinalizam, em “continuo tentando
manter os pratos no ar” e “sóbrios”, respectivamente,
Continue praticando. O acervo aberto do Concursix tem questões reais de concursos com gabarito comentado. São 5 respostas por dia sem conta e 30 por dia com a conta gratuita, que ainda guarda seu desempenho por disciplina.