Cabeceira Imaginária
Por Claudia Laitano
O mestre de cerimônias saudou a plateia avisando que aquela noite fria e chuvosa seria
histórica. Para o pequeno grupo de leitores que consideram a crítica literária um gênero tão
atraente quanto qualquer outro, era mesmo um acontecimento. Estavam ali, reunidos para um
bate-papo, dois dos nomes mais influentes do circuito ___________ das letras. De um lado,
James Wood, crítico da New Yorker e autor do livro “Como funciona a ficção”. Do outro, Edwin
Frank, diretor do braço editorial da New York Review of Books e criador da coleção NYRB Classics,
____ especializado em salvar do oblívio livros e autores de diferentes partes do mundo (nosso
“São Bernardo”, sorte deles, está lá).
A conversa era sobre “Stranger Than Fiction — Lives of the Twentieth-Century Novel”, livro
que Edwin Frank passou os últimos 10 anos escrevendo. O projeto de contar a história do
romance do século 20 ............ mais ou menos como aquela piada do cara que pretendia
escrever uma tese sobre “Deus e o mundo”, mas, aconselhado pelo orientador, reduziu seu tema
para “Deus e o mundo no século 19”. Era tão inabarcável seu objeto de estudo que Edwin Frank
optou desde o início por escrever um ensaio assumidamente idiossincrático — guiado, sem culpa,
pelos critérios que ele mesmo estabeleceu. Destacar romances que refletiram ou interpretaram
a realidade da época em que foram escritos era um deles. Não menos importante eram as
afinidades eletivas do próprio Frank como leitor.
Dos pouco mais de 30 títulos que o autor selecionou a fim de que montasse sua constelação
particular de livros e escritores essenciais para entender o romance do século 20, apenas três
são óbvios: “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, “Ulysses”, de James Joyce, e “A
Montanha Mágica”, de Thomas Mann. O ponto de partida é um livro do século 19, “Memórias do
_______” (1864), de Dostoiévski. “Austerlitz” (2001), de W. G. Sebald, assinala o ponto final da
jornada. (Não tão rápido. Em um apêndice, Frank lista outros 90 romances para que as
empilhemos em nossa cabeceira imaginária. ____ vida.)
Mas o que eu queria contar mesmo é que Dostoiévski não é o único autor nascido na
primeira metade do século 19 chamado a compor a seleção dos grandes romancistas do século
20. O outro talvez esteja na sua cabeceira agora mesmo, ou nas vizinhanças, e você pode ir se
acostumando a ensinar leitores estrangeiros a pronunciar seu nome corretamente: Joaquim
Maria Machado de Assis.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise as assertivas sobre o período a seguir, retirado do texto, “Era tão inabarcável seu objeto de estudo que Edwin Frank optou [...]”:
I. A oração subordinada presente no período expressa ideia de consequência.
II. O vocábulo “tão” é um termo intensivo e pertence à oração principal.
III. O fragmento é um período simples.
Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas III.
DApenas I e II.
EApenas II e III.
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