Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889.
Eu quisera dar a esta data a denominação seguinte: 15 de novembro do primeiro ano da República; mas não posso, infelizmente fazê-lo.
O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era. Em todo o caso, o que está feito pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à Liberdade. Como trabalho de saneamento, a obra é edificante.
Por hora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula.
O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada.
Era um fenômeno digno de ver-se. O entusiasmo veio depois, veio lentamente, quebrando o enleio dos espíritos. Pude ver a sangue frio tudo aquilo. Aristides Lobo apud CARONE, Edgard. A Primeira República (1889-1930): texto e contexto , 1969.
A carta de Aristides Lobo, publicada no Diário Popular de São Paulo em 18 de novembro de 1889, é uma das fontes mais conhecidas e citadas sobre o evento da proclamação da República no Brasil. Sua percepção sobre esse acontecimento se caracterizou por:
Adestacar a ruptura com a monarquia.
Bvalorizar a participação popular.
Cdefender o apoliticismo dos civis.
Didentificar a unidade dos militares.
Ecaracterizar a revolução liberal.
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