Questão de Interpretação de Texto — FCC · 2025

PortuguêsInterpretação de TextoIdeia centralFCC2025TRT-15Média
Para responder questão, baseie-se no texto abaixo. Os deuses da cidade Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vê-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona. A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o r que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o r esultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milênios). Mais do que com a máquina, é a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual. Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Uma cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses. (Adaptado de CALVINO, Ítalo. Assunto encerrado . Trad. Roberta Bami São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 333-336, passim) É preciso descartar tudo aquilo que impede a visão real de uma cidade. Uma nova, correta e coerente redação da frase acima processa-se no seguinte caso:
  1. AÉ mister de que se descarte aquilo que obste com a visão real de uma cidade.
  2. BImpõe-se a exclusão de tudo aquilo que obstrui a efetiva visão de uma cidade.
  3. CFaculta-se eliminar à tudo que empana o visionário realista de uma cidade.
  4. DÉ de boa prática afastar os impedimentos em que tolhem uma vista da cidade.
  5. EDeve-se expurgar de uma cidade a imagem daquilo que lhe visivelmente lhe tolhe.

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