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Atenção : Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo.
Interativo demais
Antigamente, os escritores eram admirados apenas pelo que publicavam em livros e revistas. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartilhar com alguém, dava o livro de presente ou emprestava o seu. O conteúdo mantinha-se preservado, assim como seu autor. Ninguém divulgava um texto de Somerset Maugham como sendo de Virginia Woolf, ninguém infiltrava parágrafos do Rubem Braga num texto do Sartre, ninguém criava novos finais para os poemas de Cecília Meireles. O escritor e sua obra eram respeitados, e os leitores podiam confiar no que estavam consumindo.
Além disso, artistas de cinema, músicos e esportistas eram mitos a cuja intimidade não se tinha acesso. Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Ayrton Senna entregavam ao público o que prometiam - sua arte - e o resto era especulação. Mais tarde pipocavam biografias, saciando a curiosidade do público, mas o legado desses ícones se manteve para sempre incorruptível: eram os donos legítimos de sua imagem, de sua voz e de suas palavras.
Era uma época em que aceitávamos pacificamente nossa condição de plateia, até que se inventou o conceito de interatividade e as ferramentas para exercê-la. Por um lado, a sociedade se democratizou, todos passaram a ser ouvidos, diminuiu a distância entre patrões e empregados, produtores e consumidores: as relações ficaram mais funcionais; por outro, o uso dessas ferramentas acabou involuindo para a maledicência e a promiscuidade virtual. Hoje ninguém consegue mais ter controle sobre sua imagem ou trabalho. Um ator de televisão diz "oi" para uma amiga na rua e na manhã seguinte correm notícias de que estão de casamento marcado. Uma cantora cancela um show porque está afônica e logo surge o boato de que tentou suicídio. Um escritor publica um texto no jornal e três segundos depois o mesmo texto está na internet, atribuído a Toulouse-Lautrec, que nem escritor foi.
(Adaptado de Martha Medeiros. A graça da coisa . L&PM Editores. 2013)
O termo demais , do título, antecipa uma reflexão crítica que se desenvolve ao longo do texto, sobretudo em relação à
Amaneira ativa de fruição artística no passado, considerado pela autora como avançada diante das novas exigências do público digital
Bresistência de autores e artistas em se adaptarem ao novo modelo comunicacional, o que os afasta do público contemporâneo e compromete sua relevância cultural.
Csubstituição do contato direto com a arte por experiências filtradas por algoritmos, o que empobrece a relação entre criador e consumidor.
Dperda de limites entre público e privado, decorrente do uso exacerbado de tecnologias de interatividade, que compromete a integridade da imagem e da produção artística.
Ebanalização dos produtos culturais tradicionais, incapazes de competir com o dinamismo e a velocidade das novas plataformas digitais.
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