Atenção : Considere o início da crônica " Sobre o inferno ", de Rubem Braga, para responder à questão. "O Inferno são os outros" -diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje
estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com
derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto.
Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), que итa
vez estávamos nós dois num bar e no meio da conversa ele disse fremente:
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!
Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado,
ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no
finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música
que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emilia, Emilia, Emilia, eu não
posso mais".
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas . Rio de Janeiro: Record, 2017) Ele então pediu silêncio, e que ouvisse . (4º parágrafo).
Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
Aouvi.
Bouvia.
Couço.
Douça.
Eouviu.
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