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Burnout: o esgotamento que ameaça a saúde e o desempenho no trabalho
O trabalho ocupa boa parte da vida das pessoas e, embora seja uma fonte de realização para muitos, também pode
ser uma das principais causas de sofrimento. Para o psiquiatra francês Christophe Dejours, o ambiente profissional nem
sempre promove bem-estar. Em muitos casos, pode gerar desde simples insatisfação até quadros graves de esgotamento
físico e emocional.
Nos últimos anos, estudos apontam que o adoecimento relacionado ao trabalho tem impacto direto na produtividade das empresas. O chamado absenteísmo — quando o profissional precisa se afastar por problemas de saúde — traz
prejuízos como afastamentos prolongados, necessidade de contratação de substitutos e gastos com treinamentos (MorenoJimenez e Schaufeli, 2007). Além disso, afeta a qualidade dos serviços prestados e compromete os resultados financeiros
das organizações.
Foi em 1974 que o psicólogo Herbert Freudenberger cunhou o termo burnout para descrever um quadro de esgotamento extremo, perda de motivação e isolamento entre profissionais da saúde mental. Desde então, o tema passou a ser
debatido em congressos internacionais e entre diferentes categorias profissionais, especialmente médicos e enfermeiros,
que relatam queda na qualidade do atendimento devido ao desgaste emocional.
Um levantamento citado por pesquisadores revelou que até 27% dos pacientes no Canadá avaliaram de forma negativa os cuidados recebidos em internações recentes. A escassez de enfermeiros — agravada pelo burnout e pela insatisfação — aparece como uma das principais causas desse cenário preocupante.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversos estudiosos reconhecem o burnout como um risco ocupacional
sério, principalmente em áreas como saúde, educação e serviços sociais (Maslach, 2007). No Brasil, o Decreto nº 3.048, de
1999, incluiu a “Síndrome de Burnout” na lista de transtornos mentais relacionados ao trabalho, com o código Z73.0 na
Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
Diante disso, cresce a urgência por estratégias que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis, com apoio
psicológico, valorização dos profissionais e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ignorar o problema pode sair caro —
para os trabalhadores, para as empresas e para a sociedade como um todo.
(ADAPTADO. Artigo: Síndrome de burnout ou estafa profissional e os transtornos psiquiátricos. Telma Ramos Trigo; Chei Tung Teng; Jaime
Eduardo Cecílio Hallak)
Considerando a progressão textual do texto, qual alternativa melhor explica como o autor organiza as ideias para desenvolver o tema?
AO texto traz uma sequência desorganizada de informações que alternam entre opiniões de especialistas, dados
estatísticos e legislação, dificultando a compreensão da progressão temática.
BO autor inicia com uma narrativa pessoal sobre a experiência de trabalhadores exaustos, depois expande para
dados estatísticos internacionais, para terminar apresentando um conjunto de medidas legais que combatem a
síndrome.
CO texto começa apresentando um problema específico relacionado ao adoecimento dos profissionais, e depois
cita especialistas para aprofundar a explicação, para concluir com dados estatísticos que reforçam a gravidade
do tema, finalizando com uma crítica direta às políticas públicas.
DO autor inicia com uma descrição geral sobre o trabalho, depois cita um especialista para validar a ideia, seguido
por dados e estudos que comprovam o impacto do problema no ambiente profissional, para finalmente apresentar propostas de solução, promovendo um encadeamento lógico e gradual das informações.
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