Questão de Interpretação de Texto — Vunesp · 2025

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Leia o texto a seguir para responder às questões de 43 a 47 : Os calções verdes do Bruno Até a camarada professora ficou espantada e interrompeu a aula quando o Bruno entrou na sala. Não era só o que se via na mudança das roupas, mas também o que se podia cheirar com a chegada daquele Bruno tão lavadinho. No intervalo, em vez de irmos todos brincar a correr, cada um ficou só espantado a passar perto do Bruno, mesmo a fingir que ia lá fazer outra coisa qualquer. A antiga blusa vermelha tinha sido substituída por uma camisa de manga curta esverdeada e flores brancas tipo Hawai. Mas o mais espantoso era o Bruno não trazer os calções dele verdes justos com duas barras brancas de lado. A pele cheirava a sabonete azul limpo, as orelhas não tinham cera, as unhas cortadas e limpas, o cabelo lavado e cheio de gel. Até os óculos estavam limpos. Tortos mas limpos. Fiquei no fundo da sala. Eu era grande amigo do Bruno e mesmo assim não consegui entender aquela transformação. Olhei o pátio onde as meninas brincavam “35 vitórias”. Na porta, uma contraluz do meio-dia iluminava a cara espantada da Romina. Eu olhava a Romina, o sol na porta e o Bruno também. O mujimbo* já tinha circulado lá fora e eu nem sabia. Havia uma explicação para tanto banho e perfumaria. Parece que o Bruno estava apaixonado pela Ró. A mãe do Bruno tinha contado à mãe do Helder todos os acontecimentos incríveis da tarde anterior: a procura dum bom perfume, o gel no cabelo, os sapatos limpos e brilhantes, a camisa de botões. A mãe do Bruno disse à mãe do Helder, “foi ele mesmo que me chamou para eu lhe esfregar as costas”. Depois do intervalo o Bruno passou-me secretamente a carta. A carta continuava bonita como eu nunca soube que o Bruno sabia escrever assim. Ele tinha a cara afundada nos braços, parecia adormecido, eu lia a carta sem acreditar que o Bruno tinha escrito aquilo mas os erros de português eram muito dele mesmo. A camarada professora era muito má. Veio a correr e riu-se porque eu tinha lágrimas nos olhos. Pegou na carta e rasgou tudo em pedacinhos tão pequenos como as minhas lágrimas e as do Bruno. A Romina desconfiou de alguma coisa, porque também tinha os olhos molhados. O sino tocou. Saímos. Era o último tempo. No dia seguinte, com um riso que era também de tristeza e uma espécie de saudade, o Bruno apareceu com a blusa dele vermelha e os calções verdes justos com duas riscas brancas de lado. Deu a gargalhada dele que incomodava a escola toda e veio brincar conosco. Na porta da sala, uma contraluz amarela do meio-dia iluminava a cara bonita da Romina e os olhos dela molhados com lágrimas de ternura. E o Bruno também. * Mujimbo: boato. (Ondjaki, Os da minha rua. Adaptado) Considere as seguintes reescritas de informações do texto: • Não é só o que as pessoas ____________ na mudança das roupas, mas também o que podem cheirar com a chegada daquele Bruno tão lavadinho. • No intervalo, em vez de brincar a correr, todos _____________ passar perto do Bruno, mesmo a fingir que estão lá para fazer outra coisa qualquer. • Eu olhava a Romina, o sol na porta e o Bruno também. Eles todos juntos _____________ um quadro na minha imaginação. • A carta continua bonita. Enquanto eu leio, Bruno ____________ a cara afundada nos braços, parece adormecido. De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
  1. Aveem ... vêm ... compõem ... mantém
  2. Bvêem ... vem ... compõe ... mantêm
  3. Cvêm ... vêm ... compõe ... mantém
  4. Dvem ... vem ... compõem ... mantêm
  5. Eveem ... vêm ... compõem ... mantêm

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