Questão de Morfologia — UFF · 2025

PortuguêsMorfologiaPronomesUFF2025UFFMédia
Texto 3 LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA Ricardo Azevedo No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que “o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso”. Creio que a literatura seja algo muito complexo e diversificado. Não pode ser vista como uma essência ou um elemento monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não! Para mim, a literatura lembra mais uma rica e frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos representam diferentes literaturas, todas legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém, que as literaturas são expressões da sociedade em que são produzidas. Para o sociólogo Norbert Elias, a literatura é sempre “testemunho e expressão de um certo nível de consciência”. Parece razoável pensar que, nos tempos individualistas, tecnológicos e consumistas em que vivemos, as pessoas têm sido levadas a enxergar e a valorizar mais as coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies, gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de status – do que a valorizar as outras pessoas. Vivemos, creio, num ambiente de grande analfabetismo político e social. O “modelo de consciência” dominante, para ficar com o termo de Norbert Elias, parece ser essencialmente técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e higiênica − classifica, analisa, controla e determina a função de tudo. Além disso, a técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e visa ao menor custo e ao maior lucro. Para alguns (Hannah Arendt em A condição humana), a “racionalidade” nada mais é do que o “cálculo das consequências”. É preciso reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma ideia nova, por exemplo. Num ambiente apenas técnico, impessoal, consumista e utilitarista – tempos, volto a dizer, de analfabetismo político e social – sinto que duas palavras andam cada vez mais desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é “utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das consequências”, perguntam aflitos: para que gastar dinheiro com literatura? Por que não dão ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma forma de experimentar a verdade”. Falar de literatura significa falar de ficção e de linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da linguagem, criamos situações humanas complexas que não aconteceram, mas poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos a chance de pensar melhor sobre a vida e o mundo. A partir da literatura podemos nos “redescrever” como pessoas. A literatura tem o dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo. Não me refiro apenas ao número de palavras, mas, sim, a palavras que entram no nosso vocabulário de forma inesperada, para expressar, expandir, ressignificar, “re- descrever” nossos sentimentos, nossa visão política e social, nossa leitura da vida e do mundo. AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025. Segundo o autor, “Não pode ser vista como uma essência ou um elemento monolítico, isolado e único: ‘a’ literatura” (Linhas 7-9). A ênfase do “a” pelas aspas reforça a ideia de
  1. Asuperioridade, contida no pronome demonstrativo “a”.
  2. Bdiversidade, contida no artigo indefinido “a”.
  3. Csingularidade, contida no artigo definido “a”.
  4. Dcoletividade, contida na preposição “a”.
  5. Edestacabilidade, contida no pronome indefinido “a”.

Qual é o gabarito? Responda esta questão no acervo aberto do Concursix e veja na hora se acertou, com o comentário da resposta. São 5 respostas por dia sem conta e 30 por dia com a conta gratuita.

Responder e ver o gabarito Mais questões de Português

Outras questões de Morfologia