PortuguêsInterpretação de TextoIdeia centralVunesp2025Pref. Sorocaba-SPMédia
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Um país de escolas inseguras não tem futuro Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na
certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra
superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição
escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de
acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível
para formar uma nação desenvolvida, decente e sustentável.
Sendo assim, imagine-se o que significa para o Brasil quando
grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola não
como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e
insegurança. É uma tragédia silenciosa e inconcebível.
Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada
pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos
alunos do 8 o
e do 9 o
ano do Ensino Fundamental da rede
pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola.
Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação. Enquanto 75% dos
alunos do 6 o
e do 7 o
ano dizem ter pelo menos um adulto
em quem confiam e 58% deles afirmam se sentir acolhidos
pelos adultos dentro da escola, esse índice cai para 66% e
45%, respectivamente, nas duas séries seguintes. Entre os
adolescentes dos 6 o
e 7 o
anos, 71% consideram que os profissionais da escola respeitam e valorizam os alunos, mas só
39% afirmam que os estudantes valorizam os professores –
números que caem para 56% e 26%, respectivamente, entre
os alunos dos 8 o
e 9 o
anos.
A relevante pesquisa do MEC foi realizada com o apoio
do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed),
da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
(Undime) e do Unicef, a partir de um processo de entrevistas
com uma amostra de 2,3 milhões de estudantes dos anos
finais do Ensino Fundamental de todo o Brasil. As respostas
coletadas ancoram a implementação do Programa Escola das
Adolescências, uma bem-vinda iniciativa para levar adiante a
ideia de uma escola mais conectada com as diferentes formas de viver a adolescência no País.
Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas
pelos números: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto
sensu , visão em grande medida tisnada por contextos de violência (doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de
transporte e questões de saúde; segundo, o tipo de escola
pública, por vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos adolescentes. São dois longevos e mal
resolvidos problemas da educação básica. No primeiro caso,
registrem-se os relatos negativos apontados num estudo do
início deste ano, com base em dados do Atlas da Violência
2024, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
No segundo, há a flagrante dificuldade de conter o abandono
escolar entre os adolescentes, consumado em particular no
Ensino Médio e motivado sobretudo pela necessidade de
trabalhar e pela falta de interesse. O Brasil universalizou o Ensino Fundamental só nos anos
1990. Desde então, continua a expandir lentamente a educação na pré-escola e no Ensino Médio, e não só patina no freio
à evasão escolar como ainda está a anos-luz do que seria o
ideal para ofertar uma escola atraente para a formação de um
adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura
adequada, qualidade dos serviços prestados e cumprimento
mais pleno dos objetivos de desenvolvimento e aprendizado.
Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a
escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes
não significa fazer concessões a modismos pedagógicos
e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos,
mediante aprimoramento da formação de professores.
A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência,
inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais
para ajudá-los no desenvolvimento para a vida. Mas, antes
de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco
jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos
melhor desse momento tão difícil de transição da infância
para a adolescência.
(Editorial, O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/
opiniao/um-pais-de-escolas-inseguras-nao-tem-futuro/?srsltid=AfmBOorG5q
OwqW7dp_lOY7jhhhQYbA33Wj9jtrf53beAx1WVmkto6mT4. Adaptado) Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação
correta segundo o texto.
AApesar da universalização da pré-escola e do Ensino Médio, o Brasil patina na oferta de vagas para o
Ensino Fundamental.
BA necessidade de trabalhar e a falta de interesse são
os principais motivos da evasão escolar de adolescentes no Brasil.
CO espaço escolar tem se tornado cada vez mais
interessante para a convivência, a inovação e a
participação dos alunos.
DQuanto maior a idade dos estudantes brasileiros,
melhor é a percepção de que a escola é um espaço
seguro.
EA qualidade da formação de professores foi indicada
pelos estudantes como um fator irrelevante para o
aprimoramento do ensino.
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