PortuguêsCraseCasos obrigatóriosVerbena2025Pref. Cidade Ocidental-GOMédia
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Texto 7
Aceitei vir aqui para falar um pouco da importância do ato
de ler. Me parece indispensável, ao procurar falar de tal
importância, dizer algo do momento mesmo em que me
preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que
me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio,
processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler,
que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou
da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na
inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da
palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir
da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se
prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser
alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das
relações entre o texto e o contexto.
[...]
Algum tempo depois, como professor também de
português, nos meus vinte anos, vivi intensamente a
importância elo de ler e de escrever, no fundo indicotomizáveis,
com os alunos das primeiras séries do então chamado curso
ginasial. A regência verbal, a sintaxe de concordância, o
problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso era
reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem
ser engolidos pelos estudantes. Tudo isso, pelo contrário, era
proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva,
no corpo mesmo de textos, ora de autores que estudávamos,
ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não
tinham que memorizar mecanicamente a descrição do objeto,
mas apreender a sua significação profunda. Só apreendendo-a
seriam capazes de saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la.
A memorização mecânica da descrição do elo não se constitui
em conhecimento do objeto. Por isso, é que a leitura de um
texto, tomado como pura descrição de um objeto é feita no
sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela portanto
resulta o conhecimento do objeto de que o texto fala.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam.
São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.
Em sua análise sobre o ato de ler, Paulo Freire amplia o
entendimento da leitura, articulando-a à compreensão do
contexto social e cultural. A partir dessa perspectiva, o
letramento é entendido como
Adomínio das convenções gramaticais e ortográficas que
permitem o uso correto da língua.
Bconjunto de técnicas voltadas à decodificação de
símbolos e ao reconhecimento automático das palavras.
Cprocedimento de leitura literal, voltado à identificação de
informações explícitas no texto.
Dprática social que relaciona leitura, escrita e
interpretação crítica das condições de produção do
texto.
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