[...] nas regiões subdesenvolvidas o responsável político está sempre convocando o povo ao combate.
Combate contra o colonialismo, combate contra a miséria e o subdesenvolvimento, combate contra as
condições esterilizantes. O vocábulo que utiliza em seus apelos é um vocábulo de chefe de Estado-Maior:
“Mobilização das massas”, “frente de agricultura”, “frente de analfabetismo”, “derrotas sofridas”, “vitórias
alcançadas”. A jovem nação independente evolui perante os primeiros anos numa atmosfera de campo de
batalha. É que o dirigente político de um país subdesenvolvido avalia com assombro o caminho imenso que
seu país deve percorrer. Recruta o povo e lhe diz: “Cinjamos os lombos e trabalhemos”. O país, tenazmente
dominado por uma espécie de loucura criadora, lança-se num esforço gigantesco e desproporcionado. O
programa consiste não somente em sair do atraso, mas em alcançar as outras nações com os meios disponíveis. Prevalece a crença de que os povos europeus atingiram um alto grau de desenvolvimento em
consequência de seus esforços. Provemos então ao mundo e a nós mesmos que somos capazes de iguais
realizações. Esse modo de colocar o problema da evolução dos países subdesenvolvidos não nos parece
justo nem razoável.
(FANON, F. Os condenados da Terra. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1968.)
A partir das ideias do texto, compreende-se que as desigualdades internacionais verificadas no mundo
contemporâneo
Atêm causas histórico-sociais, fundadas sobretudo na Segunda Guerra Mundial, que definiu, após seu
término, um conjunto de nações poderosas que passaram a comandar as relações mundiais, enquanto as
demais se submeteram aos imperativos externos.
Boriginaram-se a partir do final da Guerra Fria, com o redesenho do mapa mundi no âmbito da chamada
Nova Ordem Mundial, com preponderância do modo capitalista de produção e consequente estratificação
socioeconômica entre as várias nações do globo.
Cresultam de diferentes formas de exploração das riquezas praticadas pelos vários povos, que promove,
em alguns países, processos sólidos de desenvolvimento econômico, enquanto em outros as formas de
uso dos recursos disponíveis são economicamente insustentáveis.
Dtêm suas bases na exploração colonial e em seus vários desdobramentos (apropriação de riquezas pelos
colonizadores, escravização, genocídios etc.), cujas consequências se aprofundaram com a
industrialização, a revolução técnico-científico-informacional e a globalização.
Eadvêm do surgimento do capitalismo, que assegura o acúmulo de riquezas e a ascensão da classe
burguesa, que passa a dominar espaços cada vez mais amplos a partir da exploração comercial e do
estabelecimento de outras relações de mercado.
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