A Igreja foi a indispensável ponte entre duas épocas,
numa passagem “catastrófica” e não cumulativa entre
dois modos de produção [...]. Significativamente, foi o
mentor oficial da primeira tentativa sistemática de fazer
“renascer” o Império no Ocidente – a monarquia carolíngia. Com o Estado Carolíngio começa a história do feudalismo propriamente dito. Este esforço maciço ideológico
e administrativo de “recriar” o sistema imperial do velho
Mundo Antigo, na verdade, por uma inversão característica, incluía e ocultava o involuntário assentamento das
fundações do novo. Na era carolíngia foram dados os
passos decisivos para a formação do feudalismo.
(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo )
Entre esses “passos decisivos”, é correto apontar
Aa legislação do século VI, que proibia qualquer forma
de trabalho compulsório e, ao mesmo tempo, instituía a pequena propriedade rural.
Bo corpo de leis visigóticas do século IX, que limitavam o direito à propriedade e ofereciam proteção às
práticas pagãs.
Ca lenta fusão, ao longo do século VIII, da vassalagem
– homenagem pessoal – e o benefício – concessão
de terras.
Da recuperação de leis bizantinas, a partir do século V,
que recomendavam a cobrança de tributos da hierarquia da Igreja.
Ea renovação da filosofia e da literatura, a partir do
século X, que valorizava o viver no campo em detrimento à vida nas cidades.
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